A ciência económica explica que o comportamento de uma sociedade, agente económico (pessoa ou empresa) tem correlação direta com uma gestão de expetativas sobre as decisões tomadas por terceiros ou pelo que se espera que sejam os acontecimentos que irão influenciar a nossa vivência e existência. Exatamente por isso, qualquer ação desencadeia uma reação em cadeia que vai assegurando o necessário ajustamento para que possa ser dada resposta ao novo cenário.

Foi isso mesmo que foi verificado desde o final do mês de agosto, quando um conjunto invulgar de fenómenos meteorológicos afetaram uma área significativa do continente americano com consequências devastadoras nos danos materiais provocados em larga escala naquela região, mas também com consequências muito relevantes à escala mundial.

Os efeitos dos furacões Harvey e Irma, não se limitaram a provocar estragos na região tendo produzido reações em cadeia em toda a economia mundial. Sendo o Texas uma das áreas mais afetadas, e sabendo que este Estado norte-americano é um dos centros nevrálgicos da produção e refinação de petróleo, o simples facto de ter-se dado uma interrupção temporária na atividade deste setor, com consequências diretas na oferta global desta matéria-prima e dos seus produtos refinados, conduziu a uma reação imediata e global dos mercados para ajustarem a esta situação.

Isso mesmo é visível nas cotações do petróleo em que o Brent registou uma subida de 11,42% entre 17 de agosto e 22 de setembro, passando de 51,03 para 56,86 dólares.

Ao mesmo tempo e no mesmo período, também os produtos refinados, reagiram em alta com a menor capacidade de refinação, tendo a cotação do gasóleo ($/tonelada) crescido 16,27% (passando de 467,25 para 543,25 dólares) e a da gasolina aumentado 9,15% (passando de 540,75 para 590,25 dólares).

A lição que, mais uma vez, fica é que não podemos achar que os problemas alheios não têm consequências nas nossas vidas, pois mesmo um fenómeno atmosférico longínquo e localizado gerou um efeito global de reações que chegaram até nós, neste caso sob a forma de aumento do preço dos combustíveis.