A Bacia Lusitânica é uma de várias bacias desenvolvidas durante o rifting que levou à rutura da Pangeia e abertura do Atlântico Norte.  A sua evolução ao longo do tempo geológico deu origem a unidades sedimentares que são distinguíveis quer nas sondagens quer na sísmica. O estudo conjugado destas duas informações permite perceber quais os processos que levaram à deposição dessas unidades. 
O trabalho consistiu numa avaliação e caracterização de unidades do Cretácico no sector Norte da Bacia Lusitânica, no offshore raso entre Aveiro e Figueira da Foz. Esta avaliação compreendeu o estudo pormenorizado de poços selecionados e a sua correlação com a sísmica, com o objetivo de identificar os principais eventos tectono-estratigráficos que ocorreram durante a evolução da bacia e formação destas unidades. 

Devido à conjugação destes eventos com variações eustáticas, assiste-se a uma intercalação de unidades siliciclásticas e carbonatadas ao longo do Cretácico, e verifica-se que a sua espessura tende a aumentar para Norte. A transição da fase sin-rifte para a fase pós-rifte (Aptiano-Albiano) é também um evento muito importante e que é bastante visível no registo sedimentar. De uma forma geral, a análise dos perfis sísmicos mostra que as unidades Cretácicas são bastante uniformes e contínuas, devido à estabilidade tectónica que se instala na bacia durante a fase pós-rifte.

A Figura acima apresenta-se como uma síntese de toda a informação recolhida ao longo do trabalho: dados de poço, bibliografia e sísmica. Procurou-se fazer uma aproximação NNW-SSE, que incluísse todos os poços estudados, sendo possível fazer algumas assunções através da análise deste esquema: 

1) O Cretácico é caracterizado por unidades com espessuras uniformes, na região da Figueira da Foz, o que deixa de se verificar em direção a Norte e à Bacia do Porto. 
2) Os limites marcados para as unidades correspondem a alterações de assinaturas ou de granularidades, como é o exemplo do limite entre a unidade 7a e 7b, que marca a transição da fase sin para pós-rifte. 
3) Houve alteração de depocentros ao longo do desenvolvimento da BL. 
4) Os soerguimentos observados podem dever-se à atividade halocinética, parecendo afetar de uma forma mais intensa as unidades Cretácicas, em especial do Cretácico inferior.